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Como criar um canvas em 5 passos

Atualizado: 2 de Abr de 2020

É um fato que acadêmicos e profissionais de gestão têm se interessado cada vez mais por métodos visuais que os estimulem a ser mais produtivos e criativos. Foi daí que nos últimos anos o conceito de canvas se popularizou bastante. Neste artigo, vamos desmistificar esse conceito e entender os cinco passos essenciais para criar um canvas.


Mas antes de mais nada precisamos esclarecer uma coisa. Vejo muitas pessoas se referindo ao canvas como modelo canvas. Porém, não existe tal coisa como modelo canvas. Um canvas já é em sua essência um modelo. Logo, chamar um canvas de modelo canvas é apenas pleonasmo.


Entendo que muitas pessoas acabam chamando a técnica do canvas dessa forma devido a popularidade que o Business Model Canvas obteve. Mas neste caso, ele se chama assim devido ao conceito que ele traz consigo - Modelo de Negócios (Business Model) - e não ao conceito do canvas.


Tendo isso esclarecido, vamos para o artigo.


O que é um canvas?


Todos nós provavelmente já fomos a uma exposição de arte ou pelo menos vimos um quadro pintado em algum lugar. E nós sabemos porque os artistas pintam quadros - eles querem de alguma forma transmitir uma mensagem utilizando o talento que possuem. Mas o que não prestamos muita atenção é o quanto isso é desafiador para eles. Isso porque não é nada fácil conseguir fazer com que uma mensagem, normalmente complexa de ser expressada, consiga caber em apenas uma tela. Por outro lado, a dificuldade e o desafio de fazer com que sentimentos complexos possam caber em uma única tela acabam os estimulando a fazer trabalhos extremamente criativos.


E porque estou falando sobre isso? Porque é exatamente essa a essência que está por trás de um canvas - utilizar a criatividade para tentar descomplicar aquilo que é complicado em apenas uma única tela. Aliás, é essa a tradução de canvas - tela.


Dito isso, vamos trazer a discussão para nossa realidade. O canvas é uma das diversas ferramentas utilizadas em abordagens de design thinking, que é uma metodologia que mistura arte com tecnologia e prega o uso da criatividade para resolver problemas complexos, tais como, entender os desejos de clientes, desenvolver um negócio inovador, ou elaborar estratégias mais competitivas. Eles funcionam, como disse no início, como modelos. Daí surge uma outra pergunta: como assim, modelos?


Vamos lá. Modelos, na verdade, nada mais são do que técnicas utilizadas por profissionais de diversas áreas para desenvolver uma abstração da realidade. Essa abstração é feita para que possamos projetar futuros sem ter que realmente vivê-los. Economistas, por exemplo, usam modelos para projetar cenários econômicos, arquitetos usam modelos para projetar construções, e designers usam modelos para projetar soluções. Modelar, no final das contas, é uma forma de refinar uma solução de uma forma mais rápida e barata.


No design thinking esse refinamento é chamado de prototipagem, que é quando você vai testando e refinando uma ideia ao invés de ter que desenvolver uma solução por completo. Sendo assim, qualquer pessoa que aplica o design thinking pode utilizar o canvas ou qualquer outra técnica similar como forma de prototipar ideias. O Business Model Canvas, que mencionei no início, se utiliza da técnica do canvas para prototipar modelos de negócios. No final, podemos dizer que o canvas é uma técnica de modelagem, ou se preferirem, de prototipagem, que todos podemos usar para refinar nossas ideias.


Então eu posso criar o meu próprio canvas?


Sim, claro. Qualquer pessoa pode criar um canvas para que seu trabalho possa ser facilitado. O importante é que ele funcione como um mapa mental que te permita enxergar as coisas de uma forma mais clara. Ou seja, ele precisa ter o poder sintetizar o nosso pensamento, fazendo com que os diversos elementos que estamos analisando consigam ser conectados entre si, e passem a fazer sentido para nós, e para quem está visualizando o canvas.


É por isso que os canvas utilizados no mundo corporativo normalmente são divididos em blocos. Esses blocos tem como objetivo conectar os elementos que consideramos essenciais para responder a questionamentos estratégicos. Vejamos, por exemplo, o caso do Strategic Model Canvas. Perceba que a ferramenta é dividida em 10 blocos, onde cada bloco é um elemento necessário de ser analisado no desenvolvimento de estratégias empresariais.

O caso acima representa a estratégia de uma grande empresa que quer ampliar sua marca para novos mercados. Com isso, ela escolheu desenvolver um novo produto e lançá-lo em um mercado emergente. Porém, ao invés de desenvolver o produto sozinha, ela decidiu adquirir uma startup do setor e fazer um spin-off desse produto. Essa leitura que fiz da estratégia da empresa só é possível de se fazer de forma tão rápida por ela estar usando a técnica do canvas. Se ela não tivesse utilizando essa técnica, teria que buscar diversos documentos para obter tal informação. Conseguem perceber o poder do canvas?


Mas a facilidade de comunicação e a estratégia escolhida pela empresa não são os pontos que quero destacar. O que quero destacar é que independentemente da estratégia que a empresa tenha seguido, o que podemos verificar desse exemplo acima é que o canvas ajudou a empresa a responder diversos questionamentos. Um deles, por exemplo, é quais são as necessidades dos clientes. E analisando o canvas vemos que os estrategistas da empresa chegaram a conclusão que seus clientes querem produtos com preços mais baixos. Mas e se a conclusão deles fosse outra? E se os clientes quisessem produtos que durassem mais? Neste caso provavelmente toda a estratégia seria diferente da que está sendo apresentada na figura acima. É aí que temos que ter muito cuidado ao criar um canvas. Sendo assim, a partir daqui, vou apresentar os cinco passos essenciais para criar e utilizar corretamente a técnica do canvas.


Passo 1: Faça seu canvas como um mapa mental


Fazer um canvas não é simplesmente colocar vários blocos em uma única tela. Eles devem ser interdependentes e ter uma lógica entre si. Logo, se a mudança da informação que você inseriu em um bloco não fizer com que automaticamente as informações contidas nos outros blocos do canvas sejam todas alteradas, ou pelo menos questionadas também, então o seu canvas está sofrendo com um problema de concepção. Se um bloco do canvas não tem influencia sobre outro é porque esses blocos estão soltos, eles são apenas um amontoado de informações. Se você elaborar um canvas nesse estilo, eles não vão te ajudar a concluir um raciocínio, pelo contrário, só te farão ficar mais confuso. Lembrem-se: canvas não são checklists, eles são mapas mentais. Usamos o canvas para buscar conexões e não sequências. Por isso, eles não devem parecer como um mural de lembretes, com um bando de informações que não servem para nada.


Passo 2: Faça seu canvas contar histórias


Como disse no passo anterior, um canvas bem elaborado nos faz obter insights, ele desembaraça o nosso pensamento. Ao elaborar seu próprio canvas você deve se fazer duas perguntas: i) todas as informações que preciso estão presentes?; ii) consigo contar uma história com ele? Sim, você leu corretamente. Um canvas tem que ter a capacidade de contar a história da sua ideia. Vejam novamente o caso do Strategic Model Canvas. Percebam como ele consegue contar a história de uma estratégia.


Vamos entender a figura acima. Toda estratégia começa com os clientes, que geralmente possuem dores e desejos que, respectivamente, podem se transformar em ameaças ou oportunidades para a empresa. Para atender essas necessidades dos clientes, as empresas estabelecem objetivos estratégicos para desviar as ameaças e/ou aproveitar oportunidades. Além disso, os objetivos cumprem outra função, uma vez que eles direcionam a empresa em quais iniciativas estabelecer. Essas iniciativas devem ser palpáveis, por isso devem ter metas, onde cada uma dessas metas será medida por um indicador. Entretanto, como os recursos das empresas são escassos, devem ser priorizadas somente aquelas iniciativas que trarão o maior benefício para a empresa, suas partes interessadas e seus clientes. Por isso, cada iniciativa deve estar associada a um orçamento de investimento (Capex) ou operação (Opex), onde deve-se avaliar se cada uma delas está gerando valor para o negócio ou não. Viram como é? A história de toda estratégia empresarial é contada assim, o que muda é o conteúdo.


Passo 3: Crie um design com um conceito por trás


Um outro ponto também muito importante de se destacar para quem quer elaborar um canvas é quanto ao seu design. Além de ser de bom grado que o canvas tenha um design convidativo, ele também deve ter uma razão de ter sido desenhado daquela forma. O Strategic Model Canvas que vimos no exemplo acima, possui essa essência. Por exemplo, os blocos que estão no lado direito da ferramenta não estão ali por acaso, eles na verdade representam o lado direito do nosso cérebro. Logo, os blocos que estão desse lado são aqueles que estimulam questionamentos mais emocionais, como necessidades dos clientes, ameaças e oportunidades. Já os blocos do lado esquerdo da ferramenta são os blocos que estão no lado esquerdo do cérebro. Da mesma forma, os blocos que estão desse lado são aqueles que estimulam questionamentos mais racionais, como iniciativas, metas e indicadores.


Passo 4: Use post-its


Existem várias formas de utilizar o canvas. Algumas pessoas gostam de escrever a lápis dentro dos blocos, outras gostam até de desenhar dentro deles. Mas independentemente de como você insere as informações nos blocos do canvas, uma coisa é fato - você vai mudar essas informações várias vezes. Se por um acaso isso acontecer, não se preocupe, pois é perfeitamente normal. Lembrem-se que o conceito do canvas veio das artes. E como sabemos, os artistas dificilmente conseguem finalizar um quadro na sua primeira tentativa. Eles pintam diversos quadros até chegarem a sua obra prima, algo que inclusive pode levar anos. Essas tentativas que os artistas fazem é o que os designers chamam de prototipagem. No mundo corporativo, porém, uma prototipagem de vários anos não é possível de acontecer como acontece no mundo das artes. Logo, uma boa prática no uso de ferramentas canvas é trabalhar com post-its, já que eles podem ser colocados e retirados com muita facilidade. Isso faz com que a discussão se torne mais rápida e ágil.


Passo 5: Use post-its de cores diferentes


Outra boa prática no uso do canvas é que os post-its tenham cores diferentes em determinados casos. Utilizando novamente o exemplo do Strategic Model Canvas que vimos ali em cima, vamos imaginar que a empresa tivesse outro objetivo estratégico além de buscar novos mercados. Esse outro objetivo provavelmente geraria outras ameaças, oportunidades, iniciativas, metas e por aí vai. Neste sentido, o uso das cores seria de grade valia, visto que eles iriam distinguir claramente a estratégia de cada objetivo estratégico que a empresa estaria utilizando.


Concluindo...


Por esses motivos é que não é de surpreender que a utilização de canvas no mundo corporativo, especialmente nas áreas de gestão, tenha crescido tanto. Há alguns anos atrás, os processos de gestão seguiam um caráter muito linear, onde prevalecia a ideia de perfeição dos "grandes planos" que previam todos os tipos de cenários. Hoje a situação é diferente. Os gestores já consideram que planos são falhos e que ficar presos a eles pode ser uma sentença de morte. Sendo assim, nos dias de hoje prototipar não é mais uma opção, é uma necessidade. E isso pode ser estendido para diversas áreas de atuação.


Bem, espero ter esclarecido neste rápido artigo os conceitos básicos de um canvas e como podemos usar essa técnica para prototipar ideias. Se quiserem baixar gratuitamente o Strategic Model Canvas que foi apresentado como exemplo neste artigo é só clicar aqui. E se quiserem dicas para modelar estratégias, obtenha o e-book O Guia Oficial do Strategic Model Canvas.


Pedro Mancini, Msc, MBA, PMP

Diretor da Alium Consultoria e Treinamento

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